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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

La dernière semaine à Paris

Esta semana foi sem dúvida muito cansativa, mas não havia desculpas - tinha mesmo que ser bem aproveitada. O meu turismo, esta semana, foi o caminho da cité-u ao collège de france e, a uma semana da despedida, até isso é bonito para mim :)

Toda a gente me dizia que o fim de um projecto é a pior parte, e realmente esta semana trabalhei imenso e sai quase sempre tarde. Ou eram as últimas experiências que nunca eram as últimas, ou os cálculos finais que era preciso fazer, ou a dissertação que a minha orientadora quis começar enquanto ainda estivéssemos juntas - basicamente, uma grande trabalheira!

E a acrescentar a estes dias de trabalho intensivo, o facto das pessoas começarem a regressar a Portugal, algumas para regressarem depois a Paris, outras para regressarem um dia, quem sabe, de novo a nós. E por isso quase todos os dias nos juntamos à noite, a despedirmo-nos aos pouquinhos, um de cada vez, como se fosse um até já - e a dizer baixinho que as pessoas que entram a sério na nossa história, pelo menos essas, hão-de voltar, hão-de ficar, hão-de encontrar-nos num qualquer escondido desta Paris que levamos connsoco.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Les chercheurs c'est avant tout des gens sympas...

A investigação é uma coisa estranha (e todo um mundo novo para mim).

Quando funciona é tão bom - da uma sensação de controlo sobre este mundo tão aleatório, e uma alegria um pouco voyeurista de estar a espiar por caminhos de desconhecidos e obscuros :). E depois há alturas assim - não funciona, não se percebe porquê, aumenta a confusão, fazem-se asneiras, não funciona outra vez, ahah! agora ja se percebe porquê!!
Sim, às vezes é cansativo - dizia eu hoje ao meu colega húngaro. E ele fez-me um desenho que acho que vou guardar :) (pelos vistos, é bem conhecido, procurei-o na net e encontrei isto :)

(o meu é desenhado à mão, e por isso bem mais giro :p)

Há coisas que eu, na minha visão inexperiente, não imaginava... que o método científico tem razões que a ciência desconhece, que não ter hora de entrada é a parte boa de não ter hora de saída, que nos tornamos um pouco freaks a cuscuvilhar no pubmed se alguém anda a publicar as "nossas" coisas antes de nos o fazermos :) Sim, depois destes anos todos, este é verdadeiramente um mundo novo.
A maioria das vezes as coisas não funcionam, não se encontra nada de novo, mas qualquer pequeno resultado faz esquecer rapidamente tudo isso. E um bocadinho viciante - e se eu tentasse outra vez, sera que funcionava? :)

Um bocadinho geek, é certo. Mas não é por isso que nos tornamos piores pessoas :p
Citando o mail de uma colega minha do lab...

Les chercheurs c'est avant tout des gens sympas qui cherchent...
1- colegas com quem tomar um copo ao fim do dia
2- novos amigos, grupos e testes palermas no facebook
3- garrafas de alcool completamente cheias (e prontas a disparar)
4 - ter um ar concentrado ao computador, enquanto lêem os emails pessoais
5 - como ter um ar ocupado durante todo o dia, mesmo sem o estar realmente
6 - sudokus gratis na internet :)
7 - colegas que encubram as coisas na presença do chefe
8 - como parecer uma pessoa inteligente!
9 - como terminar uma tese sem bater mal :)
10 - como mitrar a sua experiência "acidentalmente" para sair mais cedo
11 - publicar os resultados a qualquer preço
12 - compreender os seus proprios resultados (nem sempre é facil!)
13 - boas desculpas para explicar porque se chegou ao meio-dia ao lab

e... last but not the least...
13 - encontrar congressos simpaticos em sitios com sol :D

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Serei geek...

[... por achar que isto é lindo?]

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

E eu, que sempre tive cães e gatos...


... tenho agora este sucedâneo minor de um animal de estimação.
Que é preciso alimentar de 3 em 3 dias, mudar o meio para ficarem limpinhas e crescerem felizes e com espaço, manipular sempre com luvas, aquecer com cuidado e manter a temperatura certa (não queremos que expludam com o choque térmico :)).

[E todo o meu empenho num bicho (ou milhões deles) que não faz sequer uma agradavel companhia, não tem um pelinho fofo para me confortar ao fim do dia, nem me aquece os pés no Inverno]

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

INSERM / Collège de France


Assim passou a minha primeira semana (meia-semana, de facto) no laboratório.
O INSERM faz parte da Collège de France e é num sítio bastante giro de Paris, no chamado quartier latin - um bairro que roubou o nome à língua incialmente falada pelos estudantes da Sorbonne. Desde sempre o quartier latin foi associado a artistas, estudantes e à vida boémia ;), e foi também aqui que aconteceram as revoltas estudantis de Maio de '68. É um sítio com várias avenidas onde é agradável passear (foi o que valeu no meu primeiro dia de trabalho, perdi-me como sempre! - onde estás Anita, com o teu mega-livro??).

O meu projecto está finalmente definido: sem grandes pormenores, vou estudar a regulação de um gene chamado WNK1, que pode estar envolvido no aparecimento da hipertensão arterial. Depois, vou fazer-lhe umas coisas engraçadas ;) que incluem metê-lo dentro de células e expandi-lo por clonagem, de maneira a percebermos porque é que ele "funciona mais" numas pessoas do que noutras - isto é, porque é que ele provoca hipertensão numas pessoas e noutras não. A Juliette (a minha orientadora) é bastante simpática e acessível, e o ambiente no laboratório é relaxado... somos 4 na minha sala, sempre com uma musiquinha, e cada um com o seu tempo para fazer as coisas, sem grandes pressões. É muito diferente de qualquer trabalho que tenha tido até agora, mas confesso que me agrada este ambiente sem stress e sem horários muito fixos. E por outro lado, é muito estimulante trabalhar numa área onde ainda se sabe pouco, ter que estar sempre a adaptar as coisas perante novas hipótese (e, às vezes, parar só para pensar nas alternativas possíveis). Parece que a cada momento se pode encontrar uma ideia nova.


Embora esteja cá há pouco tempo, parece que já me começo a sentir um bocadinho em casa. É muito fácil gostar de Paris - acordar para passear no Jardin des Tuilleries, beber chocolate quente à beira do lago, passear pelas lojas de St.Michel, almoçar nos jardins, são pequenos prazeres que não têm preço.

Sinto saudades (já e ainda), claro.
Às vezes, gostava de poder compartilhar esta experiência com aqueles que sei meus.

Mas apesar de tudo, aqui é fácil conhecer pessoas, e tenho cá a Joaninha (namorada do Velasco) e a Inês (que também está cá a fazer o doutoramento), e temos feito uns serões de jantar e cinema, dado uns passeios e combinado uns jantares. Estou cá só há 3 dias, e é muito bom ter a companhia delas, de outro modo seria um início bem mais complicado :)